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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Alfredo




Ele chegou nos braços de um colega de meu marido...
Domingo,  estava as voltas com o almoço quando ouvi alguém chamando no portão. Sai dei de cara com um ser todo brilhante, de olhos espertos ternos e orelhas, meu Deus! Era só orelhas, foi amor a primeira vista.
_ Você quer ficar com ele? Perguntou José está a ponto de morrer atropelado correndo pelas ruas. Antes de dizer sim, fui procurar meu marido que como eu ama os animais.
Tudo acertado, ficamos com o ser que mau sabíamos nós tinha uma crise de identidade. Mas agora e o nome? _Neguinho, Pretinho sugeriu meu marido, mas eu olhava para aquela cara sapeca e pensava: Não combina, aí me veio de estalo: Alfredo, vai se chamar Alfredo.
_Alfredo, mas isso lá é nome de cachorro? Indagou meu marido. Mas eu já havia decidido. Combinava e pronto!
Alfredo logo se ambientou e lembra quando disse que ele tinha crise de identidade? Pois é; Ele cava o quintal todo, pula tão alto que consegue entrar em casa pela janela da sala, então deduzi que ele não sabe se é cão, macaco ou tatu. Mas de uma coisa tenho certeza é totalmente destrambelhado. Quando pego a vassoura ele se joga na frente com a barriga pra cima e fica rebolando e se enrosca em minhas pernas e quase me derruba.
Numa das muitas vezes em que escapou entrou na casa da vizinha e pasmem! Fez cocô na cozinha dela, não pode ver ninguém que já vai la xeretar e pular, não adianta falar, gritar ele se faz de surdo.
Com tudo é nosso amigo e companheiro, um dia meu marido se viu em apuros com outro cão grudado na barra de sua calça e gritou: _Alfredo, socorro! E imediatamente viu a bola preta reluzente que é só orelha vindo correndo em sua direção para salva-lo.
E corre; correr é com ele mesmo, as vezes dispara à correr pelo quintal e coitado de quem se meter na frente dele.
Alfredo é nosso cão querido, amado e somos loucos por ele.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Michelangelo



Michelangelo era um cãozinho da cara amassada olhos esbugalhados, parecia mesmo com um Gremlin quando virava monstro rs, entretanto aos meus olhos era lindo, eu o amava. Ele foi me dado de presente por uma cliente na clinica que trabalhei, ela tinha se mudado para um apartamento nele não havia mais espaço para ele.
Foi amor a primeira "chuveirada", digo isso por que ele tinha este hábito de espirrar na cara da gente rs. Era baixinho, gordinho e muito muito invocado. 
Foi o cachorro mais vivaz e inteligente que já tive, ele era corajoso e me seguia por onde quer que eu fosse, quando não estava ele aprontava das suas. Uma das coisas que ele amava fazer era soltar puns, mas não eram apenas puns eram puns putrificados de tão mau cheirosos, mas estes eram como que reservados somente a ocasiões especiais como por exemplo quando tinha visita em casa. Nem preciso dizer o quanto nos matava de vergonha a mim e a minha mãe.As vezes ele se superava, como no dia em que fez xixi na perna de um homem que foi fazer uma orçamento pra nós. Mique como era carinhosamente chamado era assim tinha gente que ele não gostava logo de cara e nem fazia questão de disfarçar, as vezes ele ia até as pernas das pessoas e empurrava e corria para fora,  fazia isso incansavelmente quando não dava certo la vinha ele com sua arma secreta fedorenta. 
Quando minha mãe fazia qualquer coisa diferente ele me "contava", assim que entrava em casa ele corria para onde estava a guloseima e sentava-se latindo, inúmeras vezes minha mãe mudava de lugar só pra ver a reação dele, se fosse bolo por exemplo e ela o pusesse no forno, ele ficava lá enfrente ao fogão, se na mesa ele se acomodada em baixo dela e por ia.
Era rancoroso também e de muita personalidade, quando eu chamava sua atenção tudo bem mas outro? Jamais, um dia ele aprontou das suas e minha mãe o repreendeu severamente com palavras, ele saiu resmungando e quando ela chegou no quarto, sua cama estava totalmente desfeita apenas no colchão, travesseiro, lençol cobertores espalhados por todo o quarto, ele tranquilamente escondido em baixo de minha cama.
Em meu quintal havia um comodo velho onde morava uma amiga e lá passávamos a madrugada vendo tv ou conversando, e ele... ele ia lá bater com a cabeça na porta, nunca vi tamanha força em um ser tão pequeno, fazia escândalo tal que se não abríssemos com certeza a porta vira a baixo. 
Me disseram que quando estava perto do horário de minha chegada ele corria e se deitava na porta e não tinha quem o tirasse de lá, uma vez tive que voltar de um passeio de uma semana por que ele não comia sentindo minha falta.Gostava de brincar de esconde e esconde com ele o interessante era que ele parecia entender o que dizíamos: Por exemplo, me escondia na lavanderia, primeiro ele corria pra minha mãe e ela dizia: _Não esta aqui não! Está no banheiro, ele corria pra lá via, que tinha sido enganado e voltava pra ela aflito e ela dizia:_ Não está aqui não! Está na lavanderia ele corria pra lá e quando me encontrava... não posso descrever sua alegria e contentamento. 
Foram 14 anos de alegria, dedicação e de um amor incondicional, sem cobranças. Já perto de sua morte  não enxergava, seus dentes caíram e se eu não o segurasse nem conseguia ficar em pé para tomar água, doeu muito ver toda aquela vivacidade ir desaparecendo aos poucos, foi cruel.
Num domingo eu o pus la fora pra tomar um pouco de sol e quando fui olhar para ver se podia muda-lo de posição vi o último lampejo de vida deixar seu corpinho agora frágil e debilitado, ele voltou seus olhos em minha direção como se ainda pudesse me ver e deu seu ultimo suspiro e me deixou pra sempre.

Caso verdade


Quando consegui finalmente trancar a clinica onde trabalhava já passava das 21:00  lá fora a chuva havia se abrandado um pouco e o último cliente a pouco se despedira. Eu, no entanto, só  queria chegar em casa, tomar um bom  banho e descansar.Aquele dia tinha sido no mínimo estressante.
Com esses pensamentos me dirigi a passos lentos em direção ao ponto de ônibus,  a garoa teimava em voltar em pancadas de ventos fazendo com que a sensação térmica aumentasse o frio.
O caminho que escolhi não era o mesmo que fazia diariamente mas optei por ele como estratégia para tentar  fugir do trânsito que com certeza deveria estar muito pior devido ao temporal do final da tarde.
Alguns minutos depois, avistei o Divisa Diadema, estava tão cansada que quando ele parou atendendo meu sinal, sentei no primeiro banco me deixando levar pelo cansaço, sabia que faria um caminho mais longo mas e dai? Chegaria em casa e isto me confortava grandemente.
Depois de um certo tempo, olhei pela janela e reconheci o lugar, sabia que meu próximo ônibus passaria por ali, sem exitar dei o sinal, desci apressei o passo até o ponto em busca de um pouco de abrigo.
Mas de repente algo aconteceu, os carros começavam a diminuir a velocidade, na verdade quase paravam os motoristas se inclinavam sob o banco vazio do passageiro, faziam gesto, buzinavam...e eu, distraída pensava: _ Ta louco, uma mulher nem pode esperar o ônibus em paz!
Ouvi algo e meus olhos procuraram de onde vinha o barulho e encontraram uma mulher, que caminhava em minha direção a passos largos e rapidamente se aproximou ficando em pé ao meu lado. Quando a olhei pensei em puxar assunto pra ver se tempo passava mais rápido, mas fui desencorajada ao receber da mesma um olhar gélido penetrante, tão profundo que me congelou os ossos, e percebi que se tratava de uma prostituta.
Daí o tempo parou, eu só queria sair dali antes que aquela mulher resolvesse me expulsar de seu "local de trabalho" o ar tornara-se pesado, mau conseguia respirar. _Meu Deus! Cadê o ônibus que não chega?
Não sei dizer quanto tempo fiquei ali estática, mas senti como se fosse a eternidade quando finalmente minha condução chegou. Corri para ele como se fosse o último e entrei respirando aliviada.
Para minha surpresa conhecia todos os passageiros (que eram poucos aquela hora) inclusive o motorista . Jamai esquecerei o olhar de todos fitos em mim, seus rostos continham: Interrogação, espanto e principalmente reprovação. Não aguentei; explodi numa sonora gargalhada, e foi assim que terminou minha aventura às 23:00 num dos mais conhecidos pontos de prostituição de São Paulo; a Av Indianópolis

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Coisas de adolescente.



Xi... e agora? acabou a luz. Tudo escuro lá fora, breu mesmo! O jeito é dar uma volta na rua, não tem coisa melhor que mexer com as pessoas e elas nem saberem do que se trata. Sigo em direção à casa de minha melhor amiga, que aqui se chamará Preta um de seus apelidos. _Nossa; coincidência ou não tivemos a mesma ideia rs vamos nos divertir um pouco.
_ Oi! gritamos ao primeiro desconhecido em meio a escuridão, boa noite. Sem esperar pela resposta a outra quase que imediato: _ O "homi" sem educação fala oi para minha amiga e as gargalhadas vamos seguindo rumo a próxima vitima.
De repente nos vemos em uma rua deserta, eu brinco com um cabo de vassoura nas mãos, ela me acompanha e ao longe avistamos uma silhueta masculina, que ao perceber nossa presença se esconde atrás de um poste.
Exitamos um pouco porém combinamos:
_ Não se preocupe Preta, quando chegarmos perto e ele sair detrás do poste eu taco este cabo de vassoura nele e saímos correndo. Combinado?
_ Estou com medo, se ele não tivesse má intenção não se esconderia. Mas vamos, qualquer coisa você bate nele e corremos gritando  por socorro, cada uma corre para um lado.(Disse Preta) agarrando-se a meu braço.
E neste pensamento cheias de medo fomos nos aproximando do tal homem misterioso.
Ao chegarmos perto, minha amiga o reconheceu era alguém que morava pelos lados da casa dela, e ele estava meio lá meio cá, umas pinguinhas na cachola. E foi ai que me veio a mente; esse bêbado nos assustou agora ele vai ver.
Fui ficando para traz de propósito e fazendo sons que eram mesmo balburdio indecifráveis, as vezes parava e ficava olhando para o céu com aquele olhar perdido... neste ponto a lua aparecera quebrando a escuridão total.
_ Cara tonto este, será que não percebe que tem algo errado? Pensei. Mas Preta como já disse minha melhor amiga, era pura sintonia comigo e soltou:
_ Ai meu Deus! Começou a crise.
Tive que fazer um esforço sobre humano para não rir e acabar com a diversão. A expressão do cara era de pavor e começou a fazer um verdadeiro interrogatório:
Você a conhece? O que ela tem?
_ Há ela tem problemas mentais, disse Preta, não sei se ela tomou o remédio hoje.
Deitei no chão, isto mesmo no meio da rua e fiquei lá até minha amiga perceber
Comecei a babar, e girar o cabo de vassoura freneticamente deixando o cara a pa vo ra do.
De repente ele disse:
_ Olha, será que não é melhor a gente tirar isto dela?
_Não sei, as vezes ela fica agressiva, mas você pode tentar, cuidado.
A esta altura o cara tinha se curado da bebedeira, de tanto medo e com muito mas muito cuidado mesmo ele foi falando comigo, e começou a puxar bem devagar o cabo de vassoura de minhas mãos. Ao que eu claro fui colaborando, primeiro sem expressão nenhuma, mas a medida que ele ia puxando eu ia sorrindo dando-lhe confiança e quando finalmente a poucos centímetros de soltar de vez.
Soltei um grito! Tão alto, mas tão alto que quase fiquei sem pulmões.
O Cara saiu correndo pela rua afora, desesperado, deixando tudo para trás. Enquanto minha amiga e eu quase morremos de tanto rir.