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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Caso verdade


Quando consegui finalmente trancar a clinica onde trabalhava já passava das 21:00  lá fora a chuva havia se abrandado um pouco e o último cliente a pouco se despedira. Eu, no entanto, só  queria chegar em casa, tomar um bom  banho e descansar.Aquele dia tinha sido no mínimo estressante.
Com esses pensamentos me dirigi a passos lentos em direção ao ponto de ônibus,  a garoa teimava em voltar em pancadas de ventos fazendo com que a sensação térmica aumentasse o frio.
O caminho que escolhi não era o mesmo que fazia diariamente mas optei por ele como estratégia para tentar  fugir do trânsito que com certeza deveria estar muito pior devido ao temporal do final da tarde.
Alguns minutos depois, avistei o Divisa Diadema, estava tão cansada que quando ele parou atendendo meu sinal, sentei no primeiro banco me deixando levar pelo cansaço, sabia que faria um caminho mais longo mas e dai? Chegaria em casa e isto me confortava grandemente.
Depois de um certo tempo, olhei pela janela e reconheci o lugar, sabia que meu próximo ônibus passaria por ali, sem exitar dei o sinal, desci apressei o passo até o ponto em busca de um pouco de abrigo.
Mas de repente algo aconteceu, os carros começavam a diminuir a velocidade, na verdade quase paravam os motoristas se inclinavam sob o banco vazio do passageiro, faziam gesto, buzinavam...e eu, distraída pensava: _ Ta louco, uma mulher nem pode esperar o ônibus em paz!
Ouvi algo e meus olhos procuraram de onde vinha o barulho e encontraram uma mulher, que caminhava em minha direção a passos largos e rapidamente se aproximou ficando em pé ao meu lado. Quando a olhei pensei em puxar assunto pra ver se tempo passava mais rápido, mas fui desencorajada ao receber da mesma um olhar gélido penetrante, tão profundo que me congelou os ossos, e percebi que se tratava de uma prostituta.
Daí o tempo parou, eu só queria sair dali antes que aquela mulher resolvesse me expulsar de seu "local de trabalho" o ar tornara-se pesado, mau conseguia respirar. _Meu Deus! Cadê o ônibus que não chega?
Não sei dizer quanto tempo fiquei ali estática, mas senti como se fosse a eternidade quando finalmente minha condução chegou. Corri para ele como se fosse o último e entrei respirando aliviada.
Para minha surpresa conhecia todos os passageiros (que eram poucos aquela hora) inclusive o motorista . Jamai esquecerei o olhar de todos fitos em mim, seus rostos continham: Interrogação, espanto e principalmente reprovação. Não aguentei; explodi numa sonora gargalhada, e foi assim que terminou minha aventura às 23:00 num dos mais conhecidos pontos de prostituição de São Paulo; a Av Indianópolis

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