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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Michelangelo



Michelangelo era um cãozinho da cara amassada olhos esbugalhados, parecia mesmo com um Gremlin quando virava monstro rs, entretanto aos meus olhos era lindo, eu o amava. Ele foi me dado de presente por uma cliente na clinica que trabalhei, ela tinha se mudado para um apartamento nele não havia mais espaço para ele.
Foi amor a primeira "chuveirada", digo isso por que ele tinha este hábito de espirrar na cara da gente rs. Era baixinho, gordinho e muito muito invocado. 
Foi o cachorro mais vivaz e inteligente que já tive, ele era corajoso e me seguia por onde quer que eu fosse, quando não estava ele aprontava das suas. Uma das coisas que ele amava fazer era soltar puns, mas não eram apenas puns eram puns putrificados de tão mau cheirosos, mas estes eram como que reservados somente a ocasiões especiais como por exemplo quando tinha visita em casa. Nem preciso dizer o quanto nos matava de vergonha a mim e a minha mãe.As vezes ele se superava, como no dia em que fez xixi na perna de um homem que foi fazer uma orçamento pra nós. Mique como era carinhosamente chamado era assim tinha gente que ele não gostava logo de cara e nem fazia questão de disfarçar, as vezes ele ia até as pernas das pessoas e empurrava e corria para fora,  fazia isso incansavelmente quando não dava certo la vinha ele com sua arma secreta fedorenta. 
Quando minha mãe fazia qualquer coisa diferente ele me "contava", assim que entrava em casa ele corria para onde estava a guloseima e sentava-se latindo, inúmeras vezes minha mãe mudava de lugar só pra ver a reação dele, se fosse bolo por exemplo e ela o pusesse no forno, ele ficava lá enfrente ao fogão, se na mesa ele se acomodada em baixo dela e por ia.
Era rancoroso também e de muita personalidade, quando eu chamava sua atenção tudo bem mas outro? Jamais, um dia ele aprontou das suas e minha mãe o repreendeu severamente com palavras, ele saiu resmungando e quando ela chegou no quarto, sua cama estava totalmente desfeita apenas no colchão, travesseiro, lençol cobertores espalhados por todo o quarto, ele tranquilamente escondido em baixo de minha cama.
Em meu quintal havia um comodo velho onde morava uma amiga e lá passávamos a madrugada vendo tv ou conversando, e ele... ele ia lá bater com a cabeça na porta, nunca vi tamanha força em um ser tão pequeno, fazia escândalo tal que se não abríssemos com certeza a porta vira a baixo. 
Me disseram que quando estava perto do horário de minha chegada ele corria e se deitava na porta e não tinha quem o tirasse de lá, uma vez tive que voltar de um passeio de uma semana por que ele não comia sentindo minha falta.Gostava de brincar de esconde e esconde com ele o interessante era que ele parecia entender o que dizíamos: Por exemplo, me escondia na lavanderia, primeiro ele corria pra minha mãe e ela dizia: _Não esta aqui não! Está no banheiro, ele corria pra lá via, que tinha sido enganado e voltava pra ela aflito e ela dizia:_ Não está aqui não! Está na lavanderia ele corria pra lá e quando me encontrava... não posso descrever sua alegria e contentamento. 
Foram 14 anos de alegria, dedicação e de um amor incondicional, sem cobranças. Já perto de sua morte  não enxergava, seus dentes caíram e se eu não o segurasse nem conseguia ficar em pé para tomar água, doeu muito ver toda aquela vivacidade ir desaparecendo aos poucos, foi cruel.
Num domingo eu o pus la fora pra tomar um pouco de sol e quando fui olhar para ver se podia muda-lo de posição vi o último lampejo de vida deixar seu corpinho agora frágil e debilitado, ele voltou seus olhos em minha direção como se ainda pudesse me ver e deu seu ultimo suspiro e me deixou pra sempre.

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